Historia de la Real Orden Militar de Santiago de la Espada

Esta Ordem goza a primazia de origem e antiguidade ,inda que não a tenha na confirmação, porque nasceu no ano de 845, no reino de Leão. Em 1112, já havia Cavaleiros desta Ordem em Portugal.

Com o decorrer do tempo surgiu efectivamente um ramo português da Ordem. Um dos acontecimentos que teve relevância para essa autonomia do ramo português foi o fim da guerra contra os mouros, correspondendo ao período dionisiano, durante o qual o rei toma a iniciativa de uma maior interferência nas Ordens Militares, como também ocorreu aquando da transformação da Ordem do Templo na de Cristo.

Até então, os cavaleiros da Ordem dependiam da autoridade do Mestre estrangeiro. Um outro facto que consolidou a autonomia do ramo português está ligado à distância geográfica a que o comendador-mor de Portugal se encontrava, não sendo também alheia a turbulencia vivida à época.

Após uma aturada e coerente iniciativa régia para uma autonomização do ramo português da Ordem de Santiago, e procurando-se inverter as dificuldades da distância à sede em Castela, como também das opções de decisão dos espatários castelhanos, D. Dinis, que desfrutava de hábil diplomacia, conseguiu a separação do ramo nacional com um mestre provincial próprio em 1288 por bula papal de Nicolau IV.

Na mesma altura também se autonomizou o ramo português da Ordem de Calatrava, depois nomeada Ordem de Avis. A contestação arrastou-se por muitos mais anos, depois de vários documentos pontifícios a confirmar e a anular a separação (aponta-se também a fundação da Ordem militar portuguesa com a data de 1320).

Ficou reconhecida definitivamente em 1452 a Ordem de Santiago, por bula do Papa Nicolau V, a qual, no entanto, já tinha diminuído de importância relativamente às outras ordens militares.

Depois da crise de 1383-85 e com a chegada do Mestre de Avis ao trono do reino, este fica com homens da sua inteira confiança à frente dos destinos de cada uma das Ordens existentes em território nacional, que depois foi entregando o governo de cada uma delas a alguns dos seus filhos; o Infante Dom Henrique (o Navegador) ficou à frente da Ordem de Cristo, o Infante Dom João encarregou-se da Ordem de Santiago e o Infante Dom Fernando (o Infante Santo) comandou a Ordem de Avis.

Em 1423, por ordem do Rei D. João I, deu-se o início à construção do convento para os freires de Santiago no Castelo de Palmela. No reinado de D. Afonso V, em 1443, estabeleceram definitivamente aí a sede da Ordem em território nacional, tendo nessa altura o infante D. João (1400-1442) como Grão-Mestre da Ordem, filho bastardo de D. João I (1357-1433), portanto tio de D. Afonso V.

No ano seguinte, em 1444, começou a construir-se o templo desse centro da Ordem: a Igreja de Santiago, onde se encontra a arca fúnebre de D. Jorge de Lencastre, filho de D. João II e neto de Afonso V, último Grão-Mestre da Ordem e donatário da vila de Grândola. Foi em Palmela e durante o reinado de D. João II, muito apreciador da região, que a Ordem conheceu o seu máximo esplendor como realidade política e religiosa; o que pode ser considerado como inseparável do prestígio que a Coroa lhe conferia, mas também a expressão do final de uma época em que surgia a mobilização centrada na expansão ultramarina.

De 1546 até à sua extinção (1834) vigoraram na sua administração os PrioresMores do Real Convento de Santiago de Palmela. Com a simplificação do treino militar e a moderna organização dos exércitos, as Ordens Militares entram em decadência.

Terminada a conquista do território português, as energias das Ordens dirigem-se, particularmente, para «a grande epopeia» dos Descobrimentos. Com a passagem do título de mestre para os membros da família real portuguesa, no século XV, e mais tarde centrando-se apenas na figura do monarca, com D. João III, a sujeição da Ordem de Santiago à Coroa consolida-se 36 . A partir do reinado de D. João III (1551), as Ordens Militares Portuguesas ficaram definitivamente ligadas à Coroa, sendo El-Rei o Grão-Mestre das três Ordens – a Ordem de Avis, a Ordem de Cristo e Ordem de Santiago – que foram, inicialmente, sendo utilizadas para recompensar os serviços prestados ao monarca, transformando-se pouco a pouco em Ordens meramente honoríficas.