Historia de la Real Orden de San Benito de Avís

“Depois daquella batalha, por todos os seculos memorável, em que nos campos de Ourique aos 25 de Junho do anno do Senhor 1147 alcançou o Senhor Rey D. Affonso Henriques, a mais gloriosa de vitoria de cinco Reys Africanos, e de quatrocentos mil combatentes; estimulados de brio Portuguez e Religião Christãa, como também cobiçosos da gloria, e honra militar alguns nobres, e alentados cavalleiros, à imitação dos antigos Macabeos se confederarão entre si e se derão juramento huuns aos outros de pelejarem pela Fé de Christo, defensa do Reyno e amor da Patria, até darem na campanha as proprias vidas; de cuja heroica resolução movidos outros, creceo de forte o seu numero, e desta liga Catholica se seguio tanta utilidade para o Reyno, que o Senhor Rey D. Affonso Henriques não somente lhes deu rendas para conseNarem a união mas convocando na cidade de Coimbra todos os Prelados do Reyno com o Cardeal Ostiense por nome Humbaldo legado a latere do Summo Pontífice os reduziu a huma vida regular debayxo da Regra de S. Bento com a reforma de Cister, que se confirmou no anno de 1162(. . .)”.

 A Ordem de Avis descendeu de uma milícia estabelecida em Évora, que reunia um grupo de cavaleiros em torno de um Mestre, D. Gonçalo Viegas de Lanhoso.

Foi esta ordem antecedida ,segundo a tradição, pela Ordem de Évora, criada por Fernão Rodrigues Monteiro, no ano de 1147,reinando o Rei Afonso Henriques, o qual lhe deu ,para cabeça de sua Ordem, no ano de 1176, uma Igreja na cidade de Évora ,dedicada à Madre de Deus,pelo que nestes princípios se intitulava Ordem de Évora. Foi primeiro Mestre geral da Ordem, onze anos antes da de Calatrava (1158).

Estiveram na conquista de Lisboa  e em muitos outros lugares com Afonso Henriques pelo que lhes veio a ser concedida a Regra de São Bento ,após a reforma da de Cister, confirmada em 1162, passando a ela pertencer.

Porque o Papa  Alexandre  III não lhe  confirmasse a Ordem ainda que tivesse seu legado ,após o haver feito à de Calatrava em 1164, o Infante Dom Pedro Afonso, irmão de Afonso Henriques, que se meteu Monge em Alcobaça da Ordem de São Bernardo, em 1165, veio a ser nomeado efectivamente o seu primeiro Grão Mestre.

Por bom agoiro veio a escolher para  sua sede conventual um pequeno lugar, junto á vila de Aiamonte no Alentejo, perto de uma azinheira, onde nidificavam nela duas águias , passando de ora adiante a ser conhecida também por Ordem de Avis, aves na língua latina.Foi inaugurada sua fortaleza no dia de Nossa Senhora de Assunção, dia 15 de Agosto de 1223.

Sua sede foi sempre na Vila de Aviz, Alentejo aonde se encontra seu convento original.

Contudo, no século XV, o controlo da milícia por parte da monarquia, é uma realidade incontornável: ao outorgar aos cavaleiros de Avis privilégios e mercês, D. João I (anterior Mestre de Avis), procurou controlar o poder da milícia, garantindo a jurisdição desta sobre outros privilegiados e colocando-a deste modo sob a sua “dependência” (SILVA e PIMENTA, As Ordens de Avis e de Cristo, p. 823), tarefa facilitada pela grande proximidade do Mestre D. Fernão Rodrigues Sequeira relativamente ao rei. Com a morte deste Mestre, em 1433, o governo da Ordem é entregue a D. Fernando, o Infante Santo: a ligação da casa real ao mestrado é o culminar de uma aproximação premeditada da monarquia à Ordem. O cativeiro de D. Fernando, depois do “desastre de Tânger”, acentuou a dependência de Avis face à coroa, uma vez que, embora o mestrado estivesse nominalmente ocupado, provocou uma efectiva vacatura do mesmo. Não mais o mestrado de Avis se afastará da família real.

A dependência de Avis face à Ordem de Calatrava terá contudo terminado no século XV, em parte devido à acção régia acima referida. Efectivamente, após a eleição de D. João, Mestre de Avis, como rei de Portugal, em 1385, houve necessidade de escolher um outro: D. Fernão Rodrigues Sequeira foi escolhido pelos seus pares em processo hoje conhecido, mas não foi confirmado pelo seu “superior” castelhano. Quando em 1390 o Mestre de Calatrava D. Gonçalo Nunez de Guzman se deslocou a Avis, o mestre recém-eleito terá recebido indicações de D. João I para o receber como qualquer outro freire e não como seu superior. Efectivamente, alegando que Castela era cismática (e, portanto, a Ordem castelhana também) pedia-se, e obtinha-se do Papa Eugénio IV, a efectiva independência da milícia portuguesa relativamente a Calatrava.

Teve vinte e nove Mestres, sendo o ultimo o filho natural de D . João II, o Duque de Coimbra, Dom Jorge de Lencastre. A partir daí ficou ligado seu mestrado  à Casa Real directamente, tendo sido oito os Rei-Mestres.

Bibliografia:

“Escudo dos cavaleiros das Ordens Militares“, Oficina de Antonio Craesbeeck de Mello, 1670. Autor Fr. Jacinto de Deus